terça-feira, 11 de julho de 2017

Confraria do Santíssimo Sacramento
Foto de Amigos do Arquivo de Penafiel.             Surge na matriz de Penafiel, no século XVI, na capela do Espírito Santo.
O desconhecimento do seu arquivo, importantíssimo para a história desta localidade, não nos permite grandes conclusões.
Contudo, através de um livro da confraria, existente no Arquivo Municipal, e dos estudos de Coriolano de Freitas Beça, conseguimos apontar a sua fundação para meados da centúria de quinhentos, coincidindo com a transferência de paróquia para esta igreja.
Assim, segundo o livro “Breve instrução para os administradores da Confraria do santíssimo Sacramento da Cidade de Penafiel”, esta teria sido instituída na década de quarenta, da centúria de quinhentos, logo a seguir à primeira instituição da Confraria do Santíssimo Sacramento, em Roma, em 1539. Nos “apontamentos históricos de Penafiel”, existente no Arquivo Municipal, também se refere a fundação desta confraria em 1540.
Em 1610 teriam sido reformados os seus estatutos. Era administrada por doze homens eleitos, que tinham vigência vitalícia sobre a mesma, devendo ser escolhidos “entre os principais da terra”. Só à morte de cada um deles é que se procedia à eleição do seu substituto. Para tal, o juiz convocava a mesa para se provir à escola do individuo que iria ocupar o lugar vago. Para esse fim, o dito juiz nomeava três pessoas das “principais da confraria” e realizava-se a eleição. Ficaria no lugar, aquele que tivesse mais votos, sendo estes feitos por favas brancas e pretas. No caso de haver empate, ao juiz caberia o escrutínio entre os candidatos empatados.
Apesar do livro da confraria, hoje depositado no Arquivo Municipal de Penafiel, nos apontar a sua criação ainda na igreja do Espírito Santo, na década de 40, do século XVI e, portanto, anterior à transferência de paróquia, o livro do registo de irmandades e confrarias do concelho, datado de 1864, coloca-a como tendo sido instituída em 1610, sendo os seus estatutos aprovados em novembro de 1611.
A importância dos cartórios destas confrarias é enorme para o estudo da morte, da religiosidade e da história da própria cidade de Penafiel. Assim, se alguém tiver conhecimento do arquivo da dita confraria, por favor, ajude-nos a salvar a memória da cidade.



         Cf. Fernandes, Paula Sofia Costa – O hospital e a botica da misericórdia de Penafiel (1600-1850). Penafiel: Santa Casa da Misericórdia de Penafiel, 2016, p. 34-35.
   Imagens do livro da Confraria do Santíssimo Sacramento, cota: PT/CMPNF/AMPNF/AL/C.SS.S./LV.01.
Foto de Amigos do Arquivo de Penafiel.

Amigos do Arquivo de Penafiel
Boelhe
Foto de Amigos do Arquivo de Penafiel.
            Pinho Leal, no seu dicionário antigo e moderno, sugere que se visite Boelhe, o seu largo da arca, pela paisagem que oferece aos olhares de cada um e por possuir um monumento românico, com as melhores características do românico do Vale do Tâmega e Sousa, não pela sua grandeza física, por se tratar de uma igreja do meio rural, mas pela sua especificidade, como poderão verificar pela bela imagem que junto, simbolizando a posse efetiva das terras de Boelhe pelos cristãos aos muçulmanos e dento da qual os primeiros cristãos de Boelhe puderam balbuciar as primeiras orações dirigidas ao céu e à volta da qual os primeiros colonos produziram os cereais e o vinho.
 
 Cf. SOARES, João. Boelhe. Notícias de Penafiel, Penafiel, 5 de agosto. 2016. Edição n.º14. p.11.Foto de Amigos do Arquivo de Penafiel.
Foto de Amigos do Arquivo de Penafiel.Foto de Amigos do Arquivo de Penafiel.
Foto de Amigos do Arquivo de Penafiel.
Boelhe
          A partir de 6 de Agosto de 1853, Boelhe ficou com a área geográfica que tem atualmente, através do decreto-lei que anexou a si a freguesia ribeirinha de Passinhos, que vinha da Idade Média, ficando a ser um simples lugar desta, exatamente por ter deixado de possuir o número de cidadãos elegíveis estabelecido por lei.
Passinhos é o diminutivo de paços, sendo passinhos “habitações regalengas de gente titular ou de qualquer dignidade religiosa”, bastando “paço” ou “palácio”, ser somente um, já que a designação de paço se empregava no singular e no plural, Para se “paço” bastava ser casa, algo mais que ordinária. No ano de 1280, apareceu na chancelaria de D. Dinis, como freguesia de “São Miguel de Paços”.
 
       Cf. SOARES, João. Boelhe. Notícias de Penafiel, Penafiel, 5 de agosto. 2016.
       Edição n.º14. p.11.

 
Ilustres Eclesiásticos Penafidelenses

            Cónego António dos Santos – natural da paróquia de S. Martinho de Milhundos, Penafiel. Estudou no Seminário Maior do Porto. Ordenado Diácono em 2/8/1936, e presbítero no Mosteiro de Singeverga, em 26 de Setembro de 1937. Teve missa nova em 27 de Setembro desse ano, em Milhundos com a presença do Cónego e Vice-Reitor António Ferreira Gomes.
Iniciou o seu diário “Itinerário de um Padre”, em Milhundos, 24/7/1936. Ia ser este diário, o seu “confidente, amigo e atento, silencioso e sempre presente, que me acompanhará na longa caminha da vida”. O 2.º volume saiu em 1941, o 3.º volume em 1987 e o 4.º volume em 1989. E ainda o livro “A Memória do Tempo”, com 1.º e 2.º volume, este em 1996.
Foi professor e perfeito no Colégio de Ermesinde. Recorda em 1937, a carta que lhe enviou o seu antigo Professor da Escola Primária de S. Martinho de Milhundos, então já médico Dr. Carlos Hugo Lopes de Obastro, a felicitá-lo pela sua ordenação. Tinha 23 anos. É nomeado coadjutor na Paróquia de N.ª S.ª da Conceição, Porto, em 21/2/1938.
Em 25 de Agosto de 1938, indicado pároco de Teixeira e Teixeiró, no concelho de Baião. Aí, refere que, na sua primeira missa assistiram duas velhinhas. A residência paroquial era “na casa da família Picota, e entrava-se pela cozinha”. E, em Teixeiró, a residência era na casa do Senhor Montes. Diz: “era um reencontro com a Madre-Natureza, um regresso às origens…”, e lembra Teixeira de Pascoais, “Ó serra das divinas madrugadas”. Comprou o pequeno “garrano” do anterior pároco destas paróquias, e quase andava com os pés no chão, e sendo assim vendeu-o. Comprou um cavalo e arrendou uma casa no lugar do Hospital.
Começa a escrever a peça de teatro “Primavera”, para ser apresentada no Teatro Sá da Bandeira, a favor da construção da Igreja de N.ª S.ª da Conceição, Porto (1939).
Em 15/12/1940, inaugura o cruzeiro paroquial de Teixeira, e tem dificuldade em comprar o bacalhau para o Natal. Não tinha luz elétrica, nem telefone, nem telefonia. Recebia de Lisboa, com atraso, o jornal “Novidades”.
É convidado para uma paróquia de Vale de Cambra, não aceitou. Tinha-se afeiçoado a estas terras do “fim do mundo”. Vai escrevendo no jornal “O Penafidelense”, com o pseudónimo de António Galaaz, com vários poemas.
Seis anos depois, em 1944, é nomeado para Sobrado de Paiva e Bairros (Castelo de Paiva). Desde as suas paragens por Teixeira e Teixeiró, revelara-se com inclinação e gosto, para a Ação Católica Portuguesa, da JOC e LOC. É, então convidado para a orientação destes movimentos no Porto, nos anos 50 e 60, por D. António Ferreira Gomes. Sobre esta atividade descreveu-a nos dois volumes do seu livro “A Memória do Tempo”. Bem como a sua ligação fiel a D. António Ferreira Gomes.
Este é um resumido texto da vida sacerdotal do Cónego António dos Santos, um pouco desatento do grande público. Foi eleito, em 12 de Janeiro de 2008, membro nato do Conselho Pastoral, por D. Manuel Clemente. E, em 30 de Março de 2008, presidiu à última sua celebração, na Igreja de Santo António dos Congregados, na solenidade de N.ª S.ª das Dores.
 
       Cf. FERREIRA, José Fernando Coelho. Ilustres Eclesiásticos Penafidelenses.
       Notícias de Penafiel, Penafiel, 21 de outubro. 2016. Edição n.º23. p.8.

 
Ilustres Eclesiásticos Penafidelenses
          Cónego Dr. António Moreira da Rocha – natural de S. Miguel de Paredes, licenciado, foi um investigador da história de Penafiel, a quem ainda não se lhe reconheceu esse mérito, com os seus escritos dispersos. Escreveu nos anos sessenta, no “Notícias de Penafiel”, assinando com o pseudónimo de “Monaquino”, e, que há pouco tempo este jornal reproduziu. Foi amigo do Padre José Monteiro de Aguiar e de Padre Américo. Tem o seu nome assinalado numa rua da Freguesia de S. Miguel de Paredes.
 
     Cf. FERREIRA, José Fernando Coelho. Ilustres Eclesiásticos Penafidelenses.
     Notícias de Penafiel, Penafiel, 21 de outubro. 2016. Edição n.º23. p.8.
 
Amigos do Arquivo de Penafiel
Ilustres Eclesiásticos Penafidelenses
         Cónego Joaquim Ferreira Gomes – natural de S. Martinho de Milhundos, da Casa da Quebrada, em 28 de Dezembro de 1873. Estudou no Colégio de Santa Quitéria (Felgueiras). Entrou para o Seminário do Porto, e cursou Teologia, Com 20 anos recebeu o “prima tonsura e ordens menores”. Ordenado presbítero em 1896, por D. Américo. Foi professor no Colégio de S. Gonçalo em Amarante e depois nos Seminários Diocesanos, nos Carvalhos (Gaia) e do Porto. Professor de grandes conhecimentos em Latim e Matemática. Esteve ao lado de D. António Barroso, que fora exilado três anos, e regressou em 1914, à diocese do Porto. Em 1919, a Igreja comprou a Torre da Marca, (na antiga rua do triunfo, hoje D. Manuel ll), para aí edificar o Seminário. E, o Padre Joaquim Ferreira Gomes (denominado Padre Gomes) foi escolhido para seu director.
De trato afável, falas afectuosas e pausadas, numa estrutura mediana, com uma indumentária rigorosa, e de vigor físico e intelectual.
No tempo de D. António Barbosa Leão, o Seminário de Vilar, e, com o director “Padre Gomes”, atingiu a frequência de 130 alunos (1922/23), e ainda andava com ampliações de construção.
Teve uma vida consagrada á formação sacerdotal. Foi nomeado Cónego da Sé do Porto, em 15 de Junho de 1927.
Faleceu em 29 de Março de 1942, estando já há vários anos inactivo. Foi o seu sobrinho Cónego António Ferreira Gomes, o seu continuador como Vice-Reitor do Seminário.
 
      Cf. FERREIRA, José Fernando Coelho. Ilustres Eclesiásticos Penafidelenses.
      Notícias de Penafiel, Penafiel, 21 de outubro. 2016. Edição n.º23. p.8.
 
Ilustres Eclesiásticos Penafidelenses
            Cónego Manuel Moreira Aranha Furtado de Mendonça – natural da paróquia de S. Martinho de Lagares (Penafiel), bacharel em Teologia pela Universidade de Coimbra. Professor no Seminário de Lamego. Vice-Reitor do Seminário de N.ª S.ª do Rosário, dos Carvalhos (1884), e depois no Seminário do Porto (8/1/899). Foi nomeado Cónego da Sé do Porto, em 25 de Novembro de 1905.
Faleceu em Pedorido, no dia 3 de Agosto de 1906.

      Cf. FERREIRA, José Fernando Coelho. Ilustres Eclesiásticos Penafidelenses. Notícias de Penafiel, Penafiel, 21 de outubro. 2016. Edição n.º23. p.8.

      Imagem retirada da página: http://www.diocese-porto.pt.