segunda-feira, 27 de março de 2017

Casas da Escola
 
      Na 2.ª metade do século XIX, a cidade passou a ter casas para escolas.
O primeiro edifício feito para ensino surgiu com o legado do Conde Ferreira. O Governo Civil, em 1866, entregou à Câmara a planta do modelo que havia sido adotado para as escolas a edificar.
Esta escola implantou-se em parte da cerca do extinto recolhimento e ficou acabada em 1869.
Apareceram, depois, o Colégio de Nossa Senhora da Conceição, para ensino feminino, na Rua Alfredo Pereira e o Colégio do Carmo, que primeiramente se instalou na Rua do Carmo.
Na década de oitenta, o colégio instalou-se no Palácio Pereira do Lago, na Rua do Paço.
 
        Cf. GRAVETO, Pedro José Garcia do Nascimento – A Matriz até à Misericórdia. Coimbra: Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, 2000. Tese de Licenciatura policopiada, p. 56
 

domingo, 26 de março de 2017

ações
Grupo Musical os Bons Amigos do Salvador de Paço de Sousa
 
            Em 1930 alguns rapazes da freguesia resolveram restaurar uma antiga “Orquestra” da localidade, assim marcaram uma reunião na qual iriam escolher o regente do grupo e distribuir os instrumentos.
O regente escolhido foi José Ferreira Lourenço. O grupo denominar-se-ia Grupo Musical de São José de Paço de Sousa.
Nos dois anos seguintes, certos conflitos entre o grupo levaram ao afastamento de alguns membros e à fundação, em 1932, do Grupo Musical Os Bons Amigos do Salvador de Paço de Sousa.
Este último composto em janeiro de 1932 por: Belmiro Moreira Ferraz; Adriano Loureiro; António Moreira Silva; António Coelho Ferraz Taborda; Altino Dias Ferraz; Armando Ferraz Dias; Messias Moreira Ferraz.
O grupo musical de S. José de Paço de Sousa continuou a existir, sendo composto em maio de 1932 pelo presidente: José Ferreira Lourenço, o secretário: José Rebelo da Silva, o tesoureiro: António Nogueira da Silva e por dois vogais: Adriano Rebelo Brandão e Joaquim Pais Neto.
 
Cf. MENDES, Manuel – Esboço histórico da Banda Musical de Paço de Sousa (no seu cinquentenário). Paço de Sousa. Banda Musical e Cultural de Paço de Sousa, 1991,p.47-51.
Imagens retiradas do mesmo livro p.49-50.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Amigos do Arquivo de Penafiel
A realização de missas enquanto
“o mundo fosse mundo”
A realização de sufrágios perpétuos, impostos em legados e/ou solicitados em testamentos na Idade Moderna, permitiam a perpetuação da memória do instituidor por toda a eternidade, bem como, se tornava numa garantia de salvação de sua alma do fogo torturante do purgatório.
A realização intermitente de sufrágios tornou-se um hábito que todos os homens que tivessem alguns bens pretendiam assegurar para descanso de suas consciências.
Entre 1628 e 1900, 82% dos contratos feitos com a Santa Casa de Penafiel eram de missas perpétuas. A partir de meados do século XIX, a necessidade de sufrágios e ternos foi desaparecendo. As missas tornam-se mais importantes nos dias imediatos ao falecimento e a população começa a entender que existia um prazo para salvar as almas, além de que a quantidade de missas que haviam ficado por rezar, na maior parte dos altares portugueses, desde meados da centúria de setecentos, bem como, o uso indiscriminado de breves de redução e de comutação de legados usados pelas confrarias e irmandades, demonstraram a inviabilidade dos sufrágios perpétuos.
 
Cf. Fernandes, Sofia – “Aliciar as almas e os corpos através da transmissão de bens para a Misericórdia de Penafiel: legados pios, contratos entre vivos e doações”, in Araújo, Maria Marta Lobo de – A intemporalidade da Misericórdia – As Santas Casas portuguesas: espaços e tempos. Braga: Santa Casa da Misericórdia de Braga, 2016. P. 14-15.

 Imagem: Quadro da Santa Casa da Misericórdia de Penafiel
 


Alcoforados

Senhores da Torre dos Alcoforados em Paredes e Padroeiros do Mosteiro de Bustelo em Penafiel
      
Segundo a cópia do livro Tractado genealogico das Familias Ilustres do Reyno de Portugal. Tomo Sexto. De Manoel de Meyrelles de Souza. Presentemente de Joze Monteiro Guedes de Vasconcelos Mourão, pertencente ao fundo documental da Casa do Bovieiro, Dom Gueda o Velho, filho de D. Mem Gomes, é referido no nobiliário do Conde D. Pedro como tendo tido D. Huer Gueda. Huer Gueda, o Moço, viveu no tempo de D. Fernando, o Magno, e D. Afonso VI de Castela. Teve dois filhos: D. Pedro Hueriz e Dona Urraca Hueris, esta última casou com Soeiro Paes. D. Pedro Hueriz pensa-se que terá vindo para Portugal com o Conde D. Henrique e casou com Dona Teresa Aires de Ambia e tiveram Mem Aires Pires de Aguiar, que viveu no tempo do Conde D. Henrique e por morar na Quinta de Aguiar de Sousa tomou o sobrenome de Aguiar. Casou com Dona Mayor Garcia, filha de Garcia Afonso e de sua mulher Dona Estefânia e tiveram Pedro Mendes de Aguiar.
Pedro Mendes de Aguiar viveu no tempo de D. Afonso Henriques, sucedeu na quinta de Aguiar de Sousa e confirmou a doação que o dito rei fez do Mosteiro de Santa Cruz das igrejas de Leiria, a 4 de abril de 1142. Casou com Dona Estefina Mendes, filha de D. Mendo de Gundar. Tiveram vários filhos, mas quem sucedeu nos bens em Aguiar de Sousa foi Martim Pires de Aguiar. Este casou com Dona Elvira Gonçalves de Sousa, filha de Gonçalo Gomes de Sousa, o Bom, e com ela herdou o padroado de Bustelo e outras fazendas que pertenciam à Casa dos Sousas. Sucedeu-lhe seu filho Pedro Martins Alcoforado, o primeiro a tomar o apelido de Alcoforado, por morar no lugar de Alcoforado, na freguesia de Lordelo, concelho de Aguiar de Sousa, onde em meados do século XVIII ainda se conservava a torre antiga e a capela, mas as casas já se encontravam em ruínas. Este foi padroeiro do Mosteiro de Bustelo, viveu no tempo dos reis D. Sancho I e D. Afonso II, foi Senhor da Honra de Padrozelo, no concelho de Penafiel de Sousa e casou com Dona Teresa Soares de Paiva, filha de D. Soeiro Paes de Paiva e de sua mulher Dona Urraca Mendes de Bragança. Sucedeu-lhe seu filho D. Afonso Pires Alcoforado, Senhor da Torre e Casa de Alcoforado, que casou com Dona Aldara Gomes Coelho. Tiveram vários filhos, um deles Lopo Afonso Alcoforado, foi pajem de lança do rei D. Dinis, quando este era ainda príncipe e também Martim Afonso Alcoforado. Este último sucedeu na casa de seu pai e casou duas vezes, a primeira com Dona Maria e a segunda com Dona Maria Pires de Ribeira.
Pedro Martins Alcoforado, filho do segundo matrimónio de Martim Afonso Alcoforado, Senhor da Casa e Torre dos Alcoforados, em Lordelo, foi alcaide-mor de Elvas, casou com Dona Mayor Gonçalves da Cunha e veio a falecer em 1365. Sucedeu-lhe seu filho Gonçalo Pires Alcoforado, que para além de Senhor da Torre foi, também, alcaide-mor de Campo Maior, em 1357. Casou com Dona Brites Loureiro de Bubal e tiveram dois filhos, Rui Gonçalves Alcoforado, que esteve ao lado do rei D. João I na guerra e que pelos serviços prestados obteve a Quinta de Ferreiros, em Viseu, e o Senhorio da Vila da Bemposta e Penas Roxas, e Martim Gonçalves Alcoforado que sucedeu o seu pai na Casa e Torre.
Martim Gonçalves Alcoforado, também, serviu D. João I na guerra com Castela obtendo desta forma as terras de Santa Cruz de Riba Tâmega, e pelos serviços prestados ao Conde D. Nunes Alvares Pereira obteve o Senhorio de Baltar em 1396.
Fernão Martins Alcoforado, seu filho, sucede-lhe na Torre de Alcoforado, foi Senhor da Honra de Frazão e através do casamento, Senhor da Quinta da Torre, no concelho de Porto Carreiro e o padroado de Vila Boa de Quires. Apoiou o Infante D. Pedro nas lutas deste contra seu sobrinho e genro D. Afonso V, estando a seu lado na batalha de Alfarrubeira, em 1449, e por este motivo o rei D. Afonso V tirou-lhe os Senhorios e a maior parte dos bens, tendo falecido em 1453. Seu filho Gonçalo Vaz Alcoforado e de Dona Maria da Cunha sucedeu na Casa de Alcoforado e pela sua mãe na Quinta de Louredo, em Abragão, bem como, a Quinta de Faial, junto a Barcelos, onde residia, tendo falecido em 1501.
Tractado genealogico das Familias Ilustres do Reyno de Portugal. Tomo Sexto. De Manoel de Meyrelles de Souza. Presentemente de Joze Monteiro Guedes de Vasconcelos Mourão, pertencente ao fundo documental da Casa do Bovieiro, Francisco de Sousa Alcoforado, filho do segundo matrimónio de Gonçalo Vaz Alcoforado, nasceu no ano de 1497. Sucedeu na Quinta e Torre de Alcoforado, mas juntamente com o seu irmão António de Sousa Alcoforado partiu para a India e envolveu-se nas guerras em Malaca. Nestas, como capitão de um navio, alcançou grandes vitórias no ano de 1538. Foi comendador da Ordem de Cristo e morou na cidade do Porto, onde veio a falecer em 1550 e foi sepultado na Sé do Porto, numa sepultura com as armas dos Sousas, diante da Capela do Sacramento. Foi casado com Dona Maria Rangel, filha de Luís Alvares Rangel, Comendador de Lavra. Esta senhora trouxe em dote a Quinta de Canaveses e a Comenda de Salvador de Lavra. A Casa e Torre de Alcoforado ficou para o seu filho António de Sousa Alcoforado e a Quinta de Canaveses para sua filha Dona Leonor de Sousa. A Casa de Alcoforado foi vinculada por Dona Maria Rangel após a morte de seu marido, no ano de 1560, tendo a Senhora falecido nove anos depois e foi sepultada junto ao túmulo de seu marido, na capela do vínculo.
António de Sousa Alcoforado serviu o rei D. João III, em África, tendo por isso recebido a comenda de São Pedro. Faleceu em 23 de outubro de 1591 e foi sepultado na capela dos religiosos, em Barcelos. O vínculo de Alcoforado ficou para Fernão Martins de Sousa, seu filho, que serviu na India alguns anos, de onde veio aleijado das mãos. Casou com Dona Antónia de Sousa, filha de seu tio António de Sousa Alcoforado, e veio a morrer em 1610, do ferimento causado por lhe cair na cabeça o badalo do sino da sua capela.
 
 

quarta-feira, 22 de março de 2017

Acervo Documental da Junta de Freguesia
 de
 Novelas
             O Arquivo da Junta de Paróquia Civil, mais tarde denominada Junta de Freguesia, estava a cargo dos executivos que foram passando ao longo dos anos, até se fazerem as instalações da Junta de Freguesia de Novelas. A partir deste momento, os documentos encontravam-se numa pequena sala da Junta de Freguesia, em estanterias metálicas e encontravam-se todos minimamente identificados, quanto à série ou sub série e às datas, essencialmente os mais recentes. A nível do estado de conservação, esta documentação encontrava-se, no geral, em razoável estado de conservação tendo apenas algumas capas ou lombadas descoladas.
A 2 de Fevereiro de 2001, foi assinado um protocolo de depósito do arquivo, da Junta de Freguesia de Novelas, entre o Sr. Presidente da Câmara Municipal de Penafiel e Sr. Presidente da referida Junta. Através deste protocolo, toda a documentação da Junta de Freguesia, que já havia perdido o valor administrativo ou em que este era quase nulo, ficou depositada no Arquivo Municipal.
Cf.: SILVA, Júlio – Junta de Freguesia de Novelas – Inventário do Acervo Documental. Penafiel: Câmara Municipal de Penafiel, 2004, p. 31.
 
Amigos do Arquivo de Penafiel
Fundo documental da Casa de Cabanelas
Bustelo
            Encontra-se no Arquivo Municipal por contrato de depósito e estará disponível, quer a sua descrição quer os documentos em suporte digital até ao verão de 2018.
Baliza entre o séc. XVII e inícios do séc. XX e é um fundo de pequenas dimensões uma vez que, grande parte do arquivo de Cabanelas, foi se dispersando pelos vários herdeiros.






 

terça-feira, 21 de março de 2017

Dotação de órfãs
             Praticamente todas as misericórdias de Portugal e do Ultramar distribuíram dotes para casamento de órfãs pobres ou para parentas dos instituidores destas obras pias, constituindo uma forma de contrato social dos comportamentos femininos, que se acentuou após Trento, tornando-se algo comum na Idade Moderna.
Penafiel não fugiu à regra e, se para o século XVII, temos a instituição de cinco legados para dotar órfãs, na centúria seguinte aumentou para sete, não chegando à Santa Casa, no século XIX, nenhum legado com este propósito.
O grande volume de contratos instituídos com o fim de dotar donzelas não justificou que a irmandade penafidelense atribuísse dotes a partir de receitas próprias, como outras instituições congéneres efectuaram, uma vez que vários beneméritos se encarregaram de legar bens à irmandade para o efeito.
Os instituidores de legados para dotar órfãs na Misericórdia de Penafiel foram todos homens, verificando-se, assim, uma preocupação masculina na ressalva da honra e virtudes das mulheres, assumindo-se como pais protectores para aquelas que os haviam perdido.
 
              Cf. Fernandes, Paula Sofia Costa – Casamento, honra e família: os dotes da Misericórdia de Penafiel (séculos XVII_XIX). In Capela, José Viriato; Araújo, Maria Marta Lobo de; Esteves, Alexandra; Castro, Sandra (org.) – Da caridade à solidariedade: Políticas públicas e práticas particulares no mundo ibérico. Braga: Universidade do Minho. Laboratório de paisagens, património e Território – Lab2PT, 2016. P. 92-93.
 
Foto de Amigos do Arquivo de Penafiel.